Há quase dois meses atrás, me despi de todo e qualquer preconceito que carregava dentro de mim em relação à Mallu Magalhães, o fenômeno teen da música independente brasileira. Não foi preciso muito - apenas alguns segundos de show, talvez - para me convencer de que nem sempre aquilo que todos julgam é, de fato, ruim.Mallu, antes de tudo, é uma garota que poderia ser, muito bem, alguém como eu. Praticamente regulamos na idade, gostamos de esmaltes verde fosforescente, escrevemos nossas músicas baseadas nas nossas próprias experiências junto ao nosso violão folk e somos tímidas, muito tímidas, mas extrovertidas quando necessário à algumas situações. A linha tênue está no fato de ela ter resolvido colocar as suas músicas no MySpace e, seja lá qual for a verdadeira história por detrás disso, ter ficado famosa, da noite pro dia.
É uma fama merecida. Mallu, realmente, tem talento, e canta com a alma. Mistura influências que vão de Elis Regina a The Strokes. Ganhou maturidade ao longo do tempo, e em seu segundo disco, deve muito disso ao trabalho do produtor Kassin - fato lembrado pelo guitarrista de Mallu, Kadu Abecassis, quando questionado sobre essa tal maturidade. Aos poucos, a figura de menina vai sumindo, e sua relação com o palco já é praticamente íntima.
Os músicos que a acompanham são geniais. Alguns deles, como Abecassis, estão junto à cantora desde o primeiro dia de sua carreira, e é a presença deles que permite, também, a mistura de vários elementos musicais. Durante o show, foram passando pelo palco diversos instrumentos, como gaita, banjo e até mesmo um washboard - que é nada mais nada menos do que uma tábua de esfregar roupa.
É na simplicidade de uma letra como Tchubaruba à complexidade descrita em Compromisso que Mallu se constrói. Em meio ao folk, ao reggae ou ao indie rock, mostra que uma menina de dezessete anos pode - e, até mesmo, deve - fazer muito mais do que sentar e sonhar com seus planos e ambições. Mesmo que cheia de "tanto compromisso, obrigação e sacrifício", transparece a todo momento que ama o que faz, e é de artistas assim, que fazem música com vontade, com amor, que a nossa música brasileira precisa.
BASTIDORES
Inicialmente, eu e a Luiza, que também escreve no Rock 'n' Beats, fomos ao show para conseguir uma entrevista para o site, que pensávamos já estar certa após o contato do Junior com a assessoria de imprensa da FNAC, local no qual se realizou o show. A intenção era focar as perguntas na cena independente e na questão polêmica de Mallu com a Lei Rouanet, já tratada anteriormente pelo Christian. Porém, o produtor de Mallu, Alexandre, impediu-a de dar entrevista.
Tivemos uma rápida conversa com a Mallu, que, por ela, estava intencionada a dar a entrevista, mas o nosso contato maior foi mesmo com Kadu Abecassis, que, uma hora, até se sentou à mesa em que estávamos para tomar a sua cerveja e nos contar sobre as coisas que não podia fazer em palco (como, por exemplo, tomar a sua cerveja) enquanto Mallu não fizesse dezoito anos.

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