Há quase dois meses atrás, me despi de todo e qualquer preconceito que carregava dentro de mim em relação à Mallu Magalhães, o fenômeno teen da música independente brasileira. Não foi preciso muito - apenas alguns segundos de show, talvez - para me convencer de que nem sempre aquilo que todos julgam é, de fato, ruim.sábado, 24 de abril de 2010
Tchubaruba
Há quase dois meses atrás, me despi de todo e qualquer preconceito que carregava dentro de mim em relação à Mallu Magalhães, o fenômeno teen da música independente brasileira. Não foi preciso muito - apenas alguns segundos de show, talvez - para me convencer de que nem sempre aquilo que todos julgam é, de fato, ruim.sexta-feira, 23 de abril de 2010
The Beatles - Há 40 anos, Paul McCartney anunciava o fim da banda
Há exatos quarenta anos, Paul McCartney anunciava o fim definitivo de sua banda. Os Beatles já não existiam mais. Os mesmos Beatles que, outrora, foram definidos por John Lennon em uma entrevista histórica como “mais populares que Jesus Cristo”. Os quatro garotos de Liverpool, cidade inglesa com um grande número de bandas iniciantes, que tiraram a sorte grande após muitos tiros na água. Que conquistaram a América, a TV americana, fator indispensável para lançar-se como um mito. Que conquistaram milhões de garotas -- estas que, histéricas, formavam multidões aonde quer que eles estivessem, devotadas às músicas que diziam tudo o que elas gostariam de ouvir. E, então, acabou. Subiu no telhado, literalmente.
E há quem não entenda tamanho pedestal no qual muita gente os coloca hoje em dia. Talvez seja difícil compreender, mesmo, em uma época na qual muitas coisas já estão ao nosso alcance. Mas, veja só, a contribuição dos Beatles para o mundo da música não é só histórica. Antes de tudo, a banda era composta por quatro músicos geniais, cada um em sua particularidade. Pois bem, John Lennon aprendeu a tocar violão em um banjo. George Harrison era multinstrumentista desde a adolescência, e, sozinho, um compositor incrível.Paul McCartney, antes do baixo, já foi parar até na bateria, e, junto com Lennon, compôs canções tão perfeitas que contribuiram para tornar extremamente difícil superar o nome da banda. Ringo Starr só bateu as baquetas por ali durante oito anos porque era considerado o melhor baterista de Liverpool pelos outros três.
Era tudo por música. Era tudo pelo o que a música realmente representa. Afinal, todas as carreiras solos, até mesmo a de Ringo, que raramente cantava, são brilhantes. Harrison, na sua, por exemplo, lançou All Things Must Pass, considerado pela crítica o melhor álbum solo de um ex-beatle e um dos melhores da história. Lennon, adepto do movimento paz–e-amor, escreveu o hino Imagine.
Rubber Soul, o álbum de 1965, se fortaleceu musicalmente de tal maneira que acabou enlouquecendo um sujeito chamado Brian Wilson, quando este resolveu tentar superar tamanha perfeição no incrível Pet Sounds, de seu Beach Boys, e os rapazes lhe responderam com Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, um álbum conceitual, cuja existência revolucionou – e muito – o jeito de se fazer uma gravação. Sem ele, muita gente talvez não estaria fazendo os seus álbuns da mesma maneira que faz hoje.
Poderiamos citar por séculos tudo o que os Beatles proporcionaram. As composições adequadas para todas as fases pelas quais eles passaram – do deslumbramento adolescente à cultura hippie e a Guerra do Vietnã. Todas as fusões, harmonias e melodias, ou, até mesmo, as contribuições chamadas “ruins”, como o fanatismo exacerbado e o marketing invasivo.
Isso tudo é genérico. Partindo de um lado pessoal, acho extremamente incrível o modo com o qual sou fascinada pela música e história de tal banda, afinal, nasci bem longe de tudo isso. Bem depois de John Lennon ser morto. Em tempo de compreender o que significava aquela notícia em 2001, quando George Harrison faleceu. É inexplicável. Tem que ser muito bom para, depois de quarenta anos fora da atividade musical, ser lembrado em algum canto do mundo todos os dias e ainda conquistar fãs. Tem que fazer música, música de verdade, para ela nunca sumir do mundo junto de uma onda. É justo colocá-los em um pedestal, e mais justo ainda é nunca tirá-los de cima dele.
Lembro ainda que hoje também faz quarenta e oito anos que alguém muito especial para eles faleceu preocemente. Stuart Sutcliffe era o quinto membro da banda, quando Pete Best ainda era o baterista e toda a fama e grandiosidade dos rapazes estava limitada a um bar em Hamburgo, na Alemanha. Conheceu John Lennon na Escola de Arte de Liverpool. Eles eram tão amigos que, quando conseguiu vender o seu primeiro quadro, Stuart comprou um baixo -- mesmo sem saber tocar -- para integrar a banda de John. Porém, ele não chegou a ver o sucesso: abandonou os Beatles um ano antes de sua morte, para continuar os seus estudos de arte. Aos 21 anos, foi vitima de uma hemorragia cerebral.
