sábado, 24 de abril de 2010

Tchubaruba

Há quase dois meses atrás, me despi de todo e qualquer preconceito que carregava dentro de mim em relação à Mallu Magalhães, o fenômeno teen da música independente brasileira. Não foi preciso muito - apenas alguns segundos de show, talvez - para me convencer de que nem sempre aquilo que todos julgam é, de fato, ruim.

Mallu, antes de tudo, é uma garota que poderia ser, muito bem, alguém como eu. Praticamente regulamos na idade, gostamos de esmaltes verde fosforescente, escrevemos nossas músicas baseadas nas nossas próprias experiências junto ao nosso violão folk e somos tímidas, muito tímidas, mas extrovertidas quando necessário à algumas situações. A linha tênue está no fato de ela ter resolvido colocar as suas músicas no MySpace e, seja lá qual for a verdadeira história por detrás disso, ter ficado famosa, da noite pro dia.

É uma fama merecida. Mallu, realmente, tem talento, e canta com a alma. Mistura influências que vão de Elis Regina a The Strokes. Ganhou maturidade ao longo do tempo, e em seu segundo disco, deve muito disso ao trabalho do produtor Kassin - fato lembrado pelo guitarrista de Mallu, Kadu Abecassis, quando questionado sobre essa tal maturidade. Aos poucos, a figura de menina vai sumindo, e sua relação com o palco já é praticamente íntima.

Os músicos que a acompanham são geniais. Alguns deles, como Abecassis, estão junto à cantora desde o primeiro dia de sua carreira, e é a presença deles que permite, também, a mistura de vários elementos musicais. Durante o show, foram passando pelo palco diversos instrumentos, como gaita, banjo e até mesmo um washboard - que é nada mais nada menos do que uma tábua de esfregar roupa.

É na simplicidade de uma letra como Tchubaruba à complexidade descrita em Compromisso que Mallu se constrói. Em meio ao folk, ao reggae ou ao indie rock, mostra que uma menina de dezessete anos pode - e, até mesmo, deve - fazer muito mais do que sentar e sonhar com seus planos e ambições. Mesmo que cheia de "tanto compromisso, obrigação e sacrifício", transparece a todo momento que ama o que faz, e é de artistas assim, que fazem música com vontade, com amor, que a nossa música brasileira precisa.

BASTIDORES

Inicialmente, eu e a Luiza, que também escreve no Rock 'n' Beats, fomos ao show para conseguir uma entrevista para o site, que pensávamos já estar certa após o contato do Junior com a assessoria de imprensa da FNAC, local no qual se realizou o show. A intenção era focar as perguntas na cena independente e na questão polêmica de Mallu com a Lei Rouanet, já tratada anteriormente pelo Christian. Porém, o produtor de Mallu, Alexandre, impediu-a de dar entrevista.

Tivemos uma rápida conversa com a Mallu, que, por ela, estava intencionada a dar a entrevista, mas o nosso contato maior foi mesmo com Kadu Abecassis, que, uma hora, até se sentou à mesa em que estávamos para tomar a sua cerveja e nos contar sobre as coisas que não podia fazer em palco (como, por exemplo, tomar a sua cerveja) enquanto Mallu não fizesse dezoito anos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

The Beatles - Há 40 anos, Paul McCartney anunciava o fim da banda

texto escrito por mim e postado no Rock 'n' Beats em 10/04/2010

Há exatos quarenta anos, Paul McCartney anunciava o fim definitivo de sua banda. Os Beatles já não existiam mais. Os mesmos Beatles que, outrora, foram definidos por John Lennon em uma entrevista histórica como “mais populares que Jesus Cristo”. Os quatro garotos de Liverpool, cidade inglesa com um grande número de bandas iniciantes, que tiraram a sorte grande após muitos tiros na água. Que conquistaram a América, a TV americana, fator indispensável para lançar-se como um mito. Que conquistaram milhões de garotas -- estas que, histéricas, formavam multidões aonde quer que eles estivessem, devotadas às músicas que diziam tudo o que elas gostariam de ouvir. E, então, acabou. Subiu no telhado, literalmente.

E há quem não entenda tamanho pedestal no qual muita gente os coloca hoje em dia. Talvez seja difícil compreender, mesmo, em uma época na qual muitas coisas já estão ao nosso alcance. Mas, veja só, a contribuição dos Beatles para o mundo da música não é só histórica. Antes de tudo, a banda era composta por quatro músicos geniais, cada um em sua particularidade. Pois bem, John Lennon aprendeu a tocar violão em um banjo. George Harrison era multinstrumentista desde a adolescência, e, sozinho, um compositor incrível.Paul McCartney, antes do baixo, já foi parar até na bateria, e, junto com Lennon, compôs canções tão perfeitas que contribuiram para tornar extremamente difícil superar o nome da banda. Ringo Starr só bateu as baquetas por ali durante oito anos porque era considerado o melhor baterista de Liverpool pelos outros três.

Era tudo por música. Era tudo pelo o que a música realmente representa. Afinal, todas as carreiras solos, até mesmo a de Ringo, que raramente cantava, são brilhantes. Harrison, na sua, por exemplo, lançou All Things Must Pass, considerado pela crítica o melhor álbum solo de um ex-beatle e um dos melhores da história. Lennon, adepto do movimento paz–e-amor, escreveu o hino Imagine.

Rubber Soul
, o álbum de 1965, se fortaleceu musicalmente de tal maneira que acabou enlouquecendo um sujeito chamado Brian Wilson, quando este resolveu tentar superar tamanha perfeição no incrível Pet Sounds, de seu Beach Boys, e os rapazes lhe responderam com Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, um álbum conceitual, cuja existência revolucionou – e muito – o jeito de se fazer uma gravação. Sem ele, muita gente talvez não estaria fazendo os seus álbuns da mesma maneira que faz hoje.

Poderiamos citar por séculos tudo o que os Beatles proporcionaram. As composições adequadas para todas as fases pelas quais eles passaram – do deslumbramento adolescente à cultura hippie e a Guerra do Vietnã. Todas as fusões, harmonias e melodias, ou, até mesmo, as contribuições chamadas “ruins”, como o fanatismo exacerbado e o marketing invasivo.

Isso tudo é genérico. Partindo de um lado pessoal, acho extremamente incrível o modo com o qual sou fascinada pela música e história de tal banda, afinal, nasci bem longe de tudo isso. Bem depois de John Lennon ser morto. Em tempo de compreender o que significava aquela notícia em 2001, quando George Harrison faleceu. É inexplicável. Tem que ser muito bom para, depois de quarenta anos fora da atividade musical, ser lembrado em algum canto do mundo todos os dias e ainda conquistar fãs. Tem que fazer música, música de verdade, para ela nunca sumir do mundo junto de uma onda. É justo colocá-los em um pedestal, e mais justo ainda é nunca tirá-los de cima dele.

Lembro ainda que hoje também faz quarenta e oito anos que alguém muito especial para eles faleceu preocemente. Stuart Sutcliffe era o quinto membro da banda, quando Pete Best ainda era o baterista e toda a fama e grandiosidade dos rapazes estava limitada a um bar em Hamburgo, na Alemanha. Conheceu John Lennon na Escola de Arte de Liverpool. Eles eram tão amigos que, quando conseguiu vender o seu primeiro quadro, Stuart comprou um baixo -- mesmo sem saber tocar -- para integrar a banda de John. Porém, ele não chegou a ver o sucesso: abandonou os Beatles um ano antes de sua morte, para continuar os seus estudos de arte. Aos 21 anos, foi vitima de uma hemorragia cerebral.